Luciana Rabello, cavaquinista e sócia da Acari Records, fala para o Bandolim. (06/04/00) EXCLUSIVO!

Trabalho duro e sucesso certo

Tocada por quem mais entende de choro, a Acari Records chega para ficar. Criada em 1999 pelos músicos Mauricio Carrilho, Luciana Rabello e pelo produtor João Carlos Carino, a gravadora se preocupa em manter a tradição sem tirar os olhos do futuro; aposta na internet e reedita músicas de mais de um século.
Um dos discos já lançados é o trabalho da cavaquinista (e sócia da gravadora) Luciana Rabello. É Luciana quem fala, com exclusividade para o Bandolim, sobre o caminho já percorrido e o que ainda vem por aí.

Bandolim - Luciana, por que Acari Records e não Gravadora Acari?

Luciana Rabello - Porque precisamos usar a linguagem universal do mundo comercial. Acari Records é um nome que imediatamente fica associado, em qualquer lugar do mundo, a uma gravadora.

Bandolim - Como está representado o bandolim no catálogo atual da Acari?

LR - Ainda não lançamos nenhum disco de bandolim solo, mas temos o bandolinista Pedro Amorim tocando em algumas faixas do disco do Alvaro Carrilho. Já temos outro disco pronto, indo pra fábrica, onde os amantes do bandolim, como eu, vão se deliciar. Aguardem!

Bandolim - E as partituras? Quando começam a ser editadas?

LR - Também em breve. Não queremos estabelecer datas, pois somos muito "caxias" com as nossas promessas, mas estamos trabalhando.

Bandolim - Quais são os próximos lançamentos previstos? Algum bandolinista?

LR -Já comecei a falar disso, então vou anunciar: estão indo para a fábrica mais 3 discos: 1 - O disco do Maurício Carrilho, só com composições dele, arranjadas por ele, executadas por músicos da maior competência, em diversas formações. Lá estará presente o bandolim, claro. Joel Nascimento, Pedro Amorim e outro Pedro, um jovem e promissor bandolinista aqui do Rio. Vão preparando os ouvidos, que este cd está lindíssimo! 2 - O disco que registra o encontro de 4 grandes músicos: Maurício Carrilho, Proveta, Jorginho do Pandeiro e... Pedro Amorim! É um quarteto e tanto! O repertório e a execução das músicas está um caso sério. 3 - O disco do Índio do Cavaquinho. São todas músicas inéditas dessa grande figura que é o Índio. Lá temos o Joel como convidado, tocando um choro lindo, que o Indio dedicou a ele, e que se chama: O Nascimento do Joel. Imperdível!

Bandolim - O grande Canhoto costumava julgar um cavaquinista pela capacidade de imitá-lo melhor ou pior. O que foi para você ser considerada por ele sua melhor imitadora?

LR - Não sei se era exatamente assim. Canhoto admirava e respeitava outros cavaquinistas de estilos diferentes do dele. Ele não era tão auto-referente assim... No meu caso, ele ficava feliz de me ver aprendendo com ele. Hoje entendo o que ele sentiu. Começo a sentir também. É uma necessidade de ver o trabalho, ao qual dedicamos a vida toda, ter continuidade. Isso dá ânimo e muita alegria. E eu de fato, fui muito influenciada pelo mestre Canhoto, assim como também pelo Jonas Pereira da Silva, outro grande mestre do meu instrumento. Passava horas intermináveis tocando junto com os discos que tinham gravações de ambos, até conseguir tocar igual... Todos começamos imitando alguém a quem admiramos e depois vamos traçando nosso próprio caminho. Não há jeito de ser diferente. Graças a Deus, eu soube escolher bem a quem imitar (risos) Melhor ainda foi ouvir isso do próprio Canhoto. O que acontece, é que ele era uma pessoa que tinha um modo muito próprio de definir/explicar as coisas. Acho linda a maneira que ele encontrou de me dar força. Ele dizia: "Garota, você é quem melhor me imita!" Sim, porque muitos tentavam imitar o Canhoto, o que é de se esperar que aconteça com um mestre como ele, que criou uma escola de cavaquinho de acompanhamento. O mesmo aconteceu (acontece) com o Dino, com o grande Meira, com o Jorginho do Pandeiro, com o Jacob do Bandolim e com alguns outros monstros sagrados que acabam virando mesmo referência do seu próprio instrumento. Isso é prova de competência.

O Jonas me abençoou de outra forma: compôs um choro delicioso - o Manga Rosa - e me dedicou. Este choro está gravado nesse meu disco lançado nesta primeira safra da Acari Records.

Tive o aval dos dois cavaquinistas que mais admiro, e que foram as grandes referências no meu aprendizado como auto-didata. Fico muito feliz, claro, mas isso também significa muita responsabilidade.

Bandolim - Fale um pouco sobre a opção pela internet.

LR - A opção de exposição e venda de produtos pela internet, é a mais forte tendência atual e futura, sem dúvida. Vejo também como uma grande alternativa, que vai romper vários bloqueios que o mercado impôs ao longo dessas últimas décadas ao mercado da arte, sobretudo da música. É simples, prático e direto. O cuidado deve ser no atendimento ao público, no sentido de criar um estrutura de atendimento tão rápida e eficaz quanto este tipo de comunicação. A Acari montou um eficiente plano de trabalho, e mesmo assim os cuidados têm que ser diários. A resposta ao nosso trabalho tem sido muito boa. Trabalhando duro, o sucesso é certo.

Não deixe de conhecer o site da Acari Records.

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