Jane do Bandolim (Cultura Press, janeiro de 2001)

Jane do Bandolim

Cultura Press

Realmente foi amor a primeira vista (ou melhor, a primeira audição). Quando Jane do Bandolim ouviu pela primeira vez a sonoridade que emanava daquele instrumento não teve dúvidas que a partir daquele momento havia encontrado um "parceiro" que a acompanharia pelo resto da vida... o bandolim. Isso aconteceu quando tinha apenas 11 anos. Dois anos depois apaixonou-se novamente. Desta vez pelo Choro, que lhe foi apresentado por Jacob do Bandolim. A partir daí não conseguiu mais desvencilhar-se dessas duas grandes paixões, que fizeram com que tocasse com consagrados nomes da MPB, como Moreira da Silva e Martinho da Vila, e fosse a primeira mulher a liderar um grupo de Choro, o Miado do Gato.

Cultura Press - Como o Choro entrou na sua vida?
Jane do Bandolim - Tinha 13 anos quando ouvi pela primeira vez as músicas de Jacob do Bandolim, um dos maiores bandolinistas do Brasil. Aí comecei a pesquisar e estudar muito. Chegava a economizar o dinheiro do lanche da escola para poder comprar discos.

CP - Por ser mulher, encontrou muitas dificuldades no início da sua carreira pelo fato do universo do Choro ser um reduto masculino?JB- Senti o machismo na pele. Eles achavam que o Choro não era coisa para mulher. Perdi a conta de quantas vezes tentava cantar em rodas de músicos e eles não deixavam. Sentia que se surpreendiam quando me ouviam cantar, mas mesmo assim não davam o braço a torcer.

CP - Como foi para você acompanhar grandes nomes da MPB?
J B - Foi uma grande escola. A cada show eu aprendia um pouco mais. Já toquei com Moreira da Silva, Carmen Costa, Martinho da Vila, Roberto Ribeiro e Ademilde Fonseca. Além disso, participei do show "Brasil 500 Anos", em Londres.

CP - Quando você ganhou o "sobrenome" Bandolim?
JB - Isso aconteceu quando eu tinha 15, 16 anos. Estava no programa Alegria do Choro, na TV Cultura, comandado por Isaias e Júlio Lerner, quando chegou uma pessoa da produção e perguntou qual era o meu nome artístico. Fiquei tão nervosa que não consegui pensar em nada, apenas no meu nome verdadeiro. De repente senti uma mão no meu ombro que disse - "Pode colocar Jane do Bandolim". Era o Dominguinhos. Foi ele quem me batizou com este nome.

CP - Quer dizer que a união entre a Jane e o bandolim é para o resto da vida?
JB - Certa vez o Altamiro Carrilho me disse que ele estava ficando com cara de flauta e eu, de bandolim. Não dá mais para separar uma coisa da outra.

CP - Como você definiria o Choro?
JB - O Choro é uma melodia completa. Ouvindo o Choro dá para perceber o Jazz, o Erudito e a Bossa Nova. É um estilo musical completo, genuinamente brasileiro.

CP - Para você, qual a importância da Rua do Choro?
JB - Esse espaço vai beneficiar muito a população, que tem sede de cultura. Elas terão a oportunidade de ouvir o que há de melhor na música brasileira, sem gastar nada.

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